Aprenda 6 lições de empreendedorismo com o Orlando City

Como um time de futebol estreante, em um país onde a bola redonda não é tradição, alcançou tanto prestígio mundial? O Orlando City não é um time comum de futebol, mas um exemplo bem sucedido de empreendedorismo, e tem muito para nos ensinar.

Desde sua fundação pelo inglês Phil Rawlins, até o envolvimento do empresário Flávio Augusto mais para frente, o clube se sucedeu graças não só ao talento de jogadores, mas também à jogadas de mestre de seus times administrativo e de marketing. Aprenda aqui 6 lições de empreendedorismo com o Orlando City.

1. Identificar as necessidades do mercado

Flávio veio morar nos Estados Unidos, onde seu filho começou a jogar futebol. O empresário conta que começou a observar a quantidade de pessoas envolvidas no esporte, e percebeu ali um mercado inexplorado. O próximo passo foi encomendar uma pesquisa, que confirmou o que ele já havia percebido: o futebol na Flórida tinha um grande potencial, e ninguém estava vendo isso.

“Orlando é um mercado incrível para o futebol profissional e a quantidade de pessoas que lotam nossos estádios são a prova disso. Antes de decidir investir no Orlando City, eu pesquisei diversos mercados ao redor do país para futebol profissional, mas Orlando se tornou o local ideal devido à base de fãs e a liderança local.” disse Flávio em uma entrevista ao News 6.

2. Estabelecer parcerias locais fortes

Quando o Phil Rawlins decidiu trazer o clube para Orlando, escolheu a região porque identificou que o time poderia trazer grandes benefícios para ela. E desde o início implementou uma política de integração com as lideranças e negócios locais.

Rawlins encontrou em Flávio um parceiro que adotou a mesma postura. “Eu acredito na visão do prefeito Dyer para o futuro dessa grande cidade, e essa é uma das razões porque investimos ainda mais nesse projeto. Estou muito empolgado com o futuro e muito agradecido pela maravilhosa parceria com o prefeito Dyer e a cidade de Orlando”, disse o empresário brasileiro.

Através da adoção dessa política de camaradagem e parceria com a cidade e todos que  compõe, o Orlando tem alcançado o apoio praticamente unânime do público, que responde comparecendo em peso aos jogos.

Leia mais: Conheça as iniciativas da cidade de Orlando para apoiar os pequenos empresários

3. Ser objetivo

No documentário “Making History”, que conta a história do Orlando City, o Alex Leitão, atual CEO do time relata que uma das reuniões mais interessantes que já presenciou na vida profissional dele, foi a entre Phil Rawlins e Flávio Augusto no início das negociações, em 2013.

Segundo ele, eles sentaram com duas folhas em branco, e as encheram com objetivos pontuais que deveriam ser alcançados, e tarefas que deveriam ser cumpridas para tal. Alex guardou os papeis e os emoldurou, e hoje estão expostos em seu escritório. Quanto aos objetivos? Praticamente todos cumpridos em um tempo recorde.

4. Ser Ousado

O Orlando começou sua vida no Texas, com o nome de Austin Aztec. Seu nascimento já foi um ato de ousadia do Phil Rawlins, que decidiu juntamente com sua esposa começar um clube do zero. Foi ousado novamente ao resolver trazer o time para Orlando, com a intenção de ingressar na primeira divisão, a MLS.

Mas se ele achava que tinha sonhos ousados, com certeza se surpreendeu quando apareceu em seu escritório o Flávio, com sonhos ainda maiores, e disposição de sobra para realizá-los.

Juntos eles levaram o clube para a primeira divisão. Contagiaram uma cidade inteira. Trouxeram estrelas como Kaka e Brek Shea para integrar o time. Lotaram o estádio com 63 mil de torcedores em seu jogo de estréia na MLS, em um país onde futebol não é paixão.

E para levar a intrepidez para outro nível, o Orlando City, que não tem nem seis meses que estreou na MLS,  já promete entregar seu estádio em 2016, com mais de 25 mil lugares. Na nova casa do time, haverá novidades extravagantes, como a oportunidade de usar aplicativos de celular para compra de lanche e merchandising no estádio, além de um design inovador.

A experiência do Orlando nos ensina que ousar é arriscado, no entanto, aliado à um planejamento bem feito potencializa em muito os resultados.

Leia mais: Marque um gol de letra: siga o exemplo de Flávio Augusto e Ronaldinho e invista na Flórida em mercados ainda inexplorados

5. Reinventar sempre

Quando em Abril desse ano, os $30 milhões de fundos do governo que iriam para a construção do novo estádio de futebol no centro de Orlando ficaram “no limbo”, pareceu que parte do sonho de expansão do time teria que esperar. É exigência da MLS que um time, a fim de permanecer na primeira divisão, deve ter seu próprio estádio, especificamente construído para partidas de futebol.

Foi aí que aconteceu o que ninguém esperava. O Orlando City anunciou que iria financiar de forma completamente privada o seu estádio. E não somente isso, mas o projeto inicial de comportar 19.500 torcedores, passaria para uma capacidade de lotação de mais de 25.500 torcedores.

E a fim de auxiliar no custeamento do projeto, o time lançou uma campanha de venda de cotas de participação. Foram 99 cotas de US$ 500 mil que davam aos investidores uma série de benefícios, incluindo a concessão do visto EB-5, que conduz ao recebimento do Green Card.

Para o time, mais uma oportunidade de alcançar um de seus objetivos, e para os que compraram cotas, um investimento seguro e rentável. Mais uma lição que o time nos ensinou: diante da adversidade, é preciso reinventar.
Leia mais: Tipos de Vistos para Investidores nos EUA

6. Sair da Caixinha

“Uma das qualidades pra quem trabalha com o Flávio é que ele cobra: a gente tem que pensar fora da caixa, e a gente tenta. Cada um nas suas possibilidades, no seu universo criar coisas novas, criar novos espaços”, disse Décio Lopes, Diretor de Novos Negócios do Orlando City sobre a dinâmica de trabalho no time.

A história toda do clube, desde seu início é um exemplo desse princípio. Começar um clube do zero, e em menos de 10 anos levá-lo ao patamar onde está hoje, requer sair dos moldes tradicionais. Requer ousadia, mas sobretudo criatividade. E essa característica parece superabundar nos líderes do Orlando City, à ponto de extravasar para toda sua equipe.